{"id":590,"date":"2024-04-16T17:01:04","date_gmt":"2024-04-16T20:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/gessomodesto.com.br\/novosite\/?p=590"},"modified":"2024-04-16T17:07:26","modified_gmt":"2024-04-16T20:07:26","slug":"pesquisadores-obtem-tijolos-a-partir-de-residuos-de-gesso-porcelana-e-ceramica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gessomodesto.com.br\/novosite\/index.php\/2024\/04\/16\/pesquisadores-obtem-tijolos-a-partir-de-residuos-de-gesso-porcelana-e-ceramica\/","title":{"rendered":"Pesquisadores obt\u00eam tijolos a partir de res\u00edduos de gesso, porcelana e cer\u00e2mica"},"content":{"rendered":"\n<p>A reciclagem de res\u00edduos de gesso da constru\u00e7\u00e3o civil faz parte de uma linha de pesquisa conduzida h\u00e1 duas d\u00e9cadas pela professora Gladis Camarini, na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp. O resultado mais recente deste trabalho \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de tijolos a partir de gesso e res\u00edduos de cer\u00e2mica e de porcelana, o que mereceu artigo na Construction and Building Materials, revista de impacto na \u00e1rea. \u201cDesde 1999 temos avaliado a reciclagem de gesso de v\u00e1rias maneiras, visando obter um produto adequado para a constru\u00e7\u00e3o, com baixo consumo energ\u00e9tico e bom desempenho tanto mec\u00e2nico como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua durabilidade. Os trabalhos provaram a reciclabilidade desses res\u00edduos mantendo sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, sendo poss\u00edvel reaproveitar o mesmo material v\u00e1rias vezes\u201d, explica a docente.<\/p>\n\n\n\n<p>O que tamb\u00e9m merece ser destacado sobre o artigo \u00e9 que entre os autores est\u00e3o Jana\u00edna Domingos de Souza e Sofia Campos, que quando da pesquisa eram alunas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do ProFIS \u2013 Programa de Forma\u00e7\u00e3o Interdisciplinar Superior, voltado a egressos do ensino m\u00e9dio em escolas p\u00fablicas. Ambas acompanharam todas as etapas da pesquisa, inclusive os ensaios especiais, sob a tutela de dois alunos de doutorado, Rodrigo Henrique Geraldo e Luiz Fl\u00e1vio Reis Fernandes. Foram usados gesso comercial e reciclado, com a incorpora\u00e7\u00e3o de res\u00edduos de cer\u00e2mica vermelha e de isolador t\u00e9rmico de porcelana, para se chegar a um produto de maior resist\u00eancia mec\u00e2nica com aplica\u00e7\u00e3o em edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a orientadora Gladis Camarini, transformar res\u00edduos gerados pela atividade humana em novos produtos \u00e9 uma importante ferramenta para a busca da sustentabilidade e, na constru\u00e7\u00e3o civil, esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o emergencial devido ao grande volume de res\u00edduos poluentes. \u201cTemos impactos importantes no meio ambiente, a come\u00e7ar pela extra\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima, pois para produzir cimento, \u00e9 preciso calc\u00e1rio e argila e, para o gesso, a jazida de gypso. Segundo, porque temos segmentos da constru\u00e7\u00e3o que apresentam enorme desperd\u00edcio, sem muito controle sobre os res\u00edduos \u2013 grandes construtoras ainda reaproveitam uma parte, mas as outras empresas n\u00e3o t\u00eam o h\u00e1bito da reciclagem e jogam tudo no ambiente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A docente da FEC afirma que o foco no reaproveitamento do gesso tem sido premiado por diferentes resultados e ganha import\u00e2ncia proporcional \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o cada vez maior como substituto da argamassa convencional no interior das obras. \u201cO gesso tem servido n\u00e3o s\u00f3 para revestimento, mas tamb\u00e9m para produ\u00e7\u00e3o de componentes como blocos, placas e tijolos para paredes divis\u00f3rias \u2013 que podem ser erguidas e desmanchadas quando se quer mudar o ambiente, a baixo custo. Construtoras j\u00e1 oferecem apartamentos sem paredes divis\u00f3rias, prevendo que o propriet\u00e1rio planeje o espa\u00e7o conforme as necessidades da fam\u00edlia, com placas e tamb\u00e9m blocos de gesso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estimativa de Gladis Camarini \u00e9 de que, em 2012, o Brasil coletou mais de 35 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o, que representam cerca de 55% do total de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. A regi\u00e3o Sudeste gerou mais de 18 milh\u00f5es de toneladas\/ano e, somente a cidade de S\u00e3o Paulo, responde por cerca de 100.000 toneladas\/ano de res\u00edduos de gesso \u2013 com uma pequena fra\u00e7\u00e3o recolhida por algumas empresas visando, por exemplo, a produ\u00e7\u00e3o de gesso acartonado (para acabamento, em que se mistura papel cart\u00e3o). \u201cAs jazidas de gypso est\u00e3o no Norte e Nordeste, sendo as de Pernambuco as mais exploradas. O centro consumidor \u00e9 S\u00e3o Paulo e, apesar do custo de transporte, trata-se de um produto barato, n\u00e3o havendo uma utiliza\u00e7\u00e3o racional nas obras, Uma pesquisa nossa mostra que, do gesso que entra numa constru\u00e7\u00e3o, entre 40% e 50% saem como res\u00edduos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora aponta problemas ambientais s\u00e9rios nos locais de extra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o gesso \u00e9 contaminante do solo e, descartado em qualquer lugar, pode atingir o len\u00e7ol fre\u00e1tico \u2013 na verdade, os res\u00edduos deveriam ser depositados em aterro especial, o que nem sempre \u00e9 cumprido devido ao custo elevado. \u201cNo Polo Gesseiro do Araripe [PE], trabalhadores e moradores sofrem com a poeira, por se tratar de uma rocha que \u00e9 dinamitada e mo\u00edda. Na f\u00e1brica temos o chamado \u2018gesso de varri\u00e7\u00e3o\u2019, que o trabalhador passa o dia varrendo e aspirando o material particulado. Os moradores das cidades do entorno tamb\u00e9m respiram a poeira, que obviamente afeta a sa\u00fade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A professora da FEC explica que, na pesquisa, as amostras de tijolos de gesso misturado a res\u00edduos cer\u00e2micos e de porcelana \u2013 igualmente descartados em grande quantidade \u2013 foram submetidas \u00e0 press\u00e3o de uma tonelada (10kN), e com adi\u00e7\u00e3o de pouca \u00e1gua, o que tamb\u00e9m \u00e9 favor\u00e1vel em termos de produ\u00e7\u00e3o. \u201cOs resultados indicaram que o processo de compacta\u00e7\u00e3o modifica a microestrutura do produto final e fornece um ganho significativo de resist\u00eancia a compress\u00e3o e flex\u00e3o, gerando valores consider\u00e1veis em produtos contendo 50% de res\u00edduos. S\u00e3o blocos estruturais e de veda\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o, efetivamente, e n\u00e3o para acabamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O produto obtido, assegura Gladis Camarini, \u00e9 perfeitamente comercializ\u00e1vel, podendo abrir um nicho ainda inexplorado de um mercado que normalmente recicla res\u00edduos de concreto e de cer\u00e2mica \u2013 chamados de res\u00edduo cinza e res\u00edduo vermelho. \u201cO problema \u00e9 que ainda n\u00e3o temos usinas que reaproveitem o gesso, o que seria um primeiro passo. Em vez de colocado em aterro, esse material precisa ser recuperado como um produto nobre, que pode ser calcinado inclusive em baixa temperatura: se a produ\u00e7\u00e3o de cimento se d\u00e1 em aproximadamente em 1.450 graus, o gesso pede entre 150 e 160 graus. Falta tamb\u00e9m uma pol\u00edtica p\u00fablica para que esta reciclagem aconte\u00e7a. \u00c9 uma pena, pois temos muito conhecimento acumulado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Site eCycle<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reciclagem de res\u00edduos de gesso da constru\u00e7\u00e3o civil faz parte de uma linha de pesquisa conduzida h\u00e1 duas d\u00e9cadas pela professora Gladis Camarini, na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp. 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